Em um momento de transformações e desafios globais, entender onde está a produtividade do Brasil é fundamental para moldar o futuro econômico e social.
Em 2025, a produtividade do trabalho agregada (PTA) avançou apenas 0,4%, repetindo o ritmo de 2024 e ficando abaixo dos 2,3% registrados em 2023. O setor agropecuário despontou com um aumento de 13,2%, enquanto a indústria recuou 0,3% e os serviços, 0,6%.
Esse resultado emerge de um crescimento do valor adicionado em 2,4% contrastado com um aumento de 2% nas horas trabalhadas. Apesar de a produtividade estar 2,1% acima dos níveis pré-pandemia, esse ganho concentrou-se sobretudo em 2023.
O quarto trimestre de 2025 registrou um pequeno avanço de 0,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, indicando sinais de recuperação apenas pontuais.
A dependência da agropecuária como principal motor da PTA vem desde meados dos anos 1990, com contribuição de até 66% via efeito composição, à medida que trabalhadores de baixa produtividade deixam o setor.
Entre 1995 e 2024, a produtividade do agro cresceu em média 5,8% ao ano, enquanto a indústria e os serviços apresentaram variação muito inferior. Esse desequilíbrio ressalta a necessidade de diversificação da base econômica e de aperfeiçoamento de processos em setores menos dinâmicos.
Programas como o Brasil Mais Produtivo já beneficiaram 67,5 mil empresas, gerando até 100% de aumento em manufaturas enxutas. Ainda assim, a participação da indústria de transformação permanece estagnada, colocando em risco a competitividade global.
Apesar dos desafios, há caminhos claros para elevar a produtividade intrassetorial e fortalecer segmentos estratégicos. Os mais promissores incluem:
Esses segmentos combinam geração de PIB, criação de empregos e elevação salarial, representando um vetor de crescimento sustentável para a próxima década.
Para transformar potencial em resultados concretos, empresas e governo devem agir em conjunto, mobilizando recursos e conhecimento:
Essas ações se complementam e criam um ciclo virtuoso: maior eficiência gera mais recursos para reinvestimento e inovação.
É indispensável que as políticas públicas acompanhem as mudanças estruturais com foco em três pilares:
Ao mesmo tempo, a sociedade civil pode pressionar por maior eficiência no gasto público, cobrando transparência e foco em resultados de programas voltados à produtividade.
O Brasil vive um momento decisivo: consolidar-se como potência produtorafundada em inovação e sustentabilidade ambiental não será tarefa fácil, mas é essencial para evitar a armadilha de baixo crescimento.
Para 2026 e além, o agronegócio seguirá liderando os ganhos, mas só terá efeito duradouro se acompanhado de expansão dos setores de tecnologia, serviços digitais e energia limpa. A meta é clara: elevar a produtividade intrassetorial, reduzir gargalos de infraestrutura e fomentar uma cultura de melhoria contínua.
Cada agente econômico—do produtor rural ao empreendedor urbano, do técnico de fábrica ao gestor de startup—tem papel determinante nessa jornada. Ao unir forças, compartilhar conhecimento e investir em soluções inovadoras, o Brasil pode alcançar patamares de produtividade compatíveis com sua riqueza de recursos naturais e capital humano.
O desafio está colocado: transformar dados e diagnósticos em ações coordenadas, capazes de gerar um ciclo virtuoso de eficiência, crescimento e bem-estar. O futuro da produtividade setorial no Brasil depende de cada um de nós.
Referências