O saneamento básico transcende a simples gestão de água e esgoto; é um pilar essencial para a saúde, a economia e a dignidade de milhões de brasileiros. Este artigo explora como o investimento em saneamento pode se tornar um verdadeiro motor de crescimento, oferecendo orientações práticas para gestores públicos, investidores e sociedade civil.
Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda convive com indicadores alarmantes. Apenas 85% da população tem acesso adequado ao abastecimento de água, enquanto a coleta de esgoto atende somente 56% dos domicílios. Essa lacuna afeta diretamente a saúde pública, gerando doenças de veiculação hídrica, e reduz a produtividade no trabalho.
Nas regiões Norte e Nordeste, a situação é ainda mais crítica: 43,3% dos moradores não contam com coleta de esgoto e 16,9% enfrentam falta de água potável em suas casas. Esse cenário aprofunda desigualdades regionais e compromete o desenvolvimento socioeconômico.
Com a aprovação do Novo Marco Legal do Saneamento em 2020 (Lei nº 14.026), o país definiu metas ousadas para 2033:
Para alcançar esses objetivos, o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) concluiu que será necessário mais que dobrar a média de investimentos realizados entre 2007 e 2019. Sem esse esforço, a universalização dos serviços ficará fora de alcance.
Estudos do Plansab apontam que serão necessários R$ 142 bilhões apenas para o setor de água, sem considerar complementos essenciais em esgoto e drenagem urbana. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) calcula que os projetos contratados desde 2016 podem alcançar investimentos vultosos de mais de R$ 50 bilhões nos primeiros dez anos de concessões.
Esses números demonstram que, sem um planejamento financeiro robusto e diversificado, será impossível universalizar os serviços até 2033 e cumprir as metas estabelecidas.
Para alavancar recursos, gestores públicos e prestadores de serviço podem recorrer a diversas alternativas:
Para transformar o saneamento em realidade local, é fundamental adotar abordagens integradas:
Investir em saneamento é investir no futuro do país. Os benefícios extrapolam o retorno financeiro: reduzem custos com saúde, elevam a produtividade, valorizam imóveis, fortalecem o turismo e aumentam a qualidade de vida. Por gerar altas externalidades sociais, esse setor atrai olhares de investidores que buscam impacto positivo além do lucro.
Cidades como Curitiba, Santo André e Juiz de Fora já colhem frutos desse esforço. Tão relevante quanto ampliar infraestrutura é consolidar práticas de gestão que garantam a sustentabilidade a longo prazo.
O saneamento básico tem potencial para impulsionar a transformação socioeconômica do Brasil. É necessária uma colaboração entre setor público e privado, atração de capital nacional e estrangeiro, e garantia de recursos de longo prazo em moeda doméstica. Somente assim conseguiremos assegurar água potável e esgoto tratado a todos os brasileiros, entregando saúde, dignidade e prosperidade às próximas gerações.
Está em nossas mãos construir um futuro em que a universalização do saneamento não seja apenas uma meta legal, mas uma realidade concreta nas ruas e lares de cada município. O momento de agir é agora.
Referências