O Brasil ocupa hoje a décima posição entre as maiores economias do mundo, mas permanece entre os dez países com maior desigualdade de renda. Esse contraste revela que o crescimento sem equidade social não basta para garantir bem-estar coletivo ou mobilidade social.
Enquanto o PIB per capita avança, muitos indicadores de Justiça Social declinam. É urgente compreender como combinar políticas imediatas de amparo com estratégias de longo prazo para gerar um desenvolvimento sustentável e equitativo.
Entre 1985 e 2023, o Índice de Justiça Econômica brasileiro apresentou queda contínua, mesmo com aumento do PIB per capita. Ao mesmo tempo, avanços em indicadores como IDH, mortalidade infantil e escolarização não foram suficientes para reverter totalmente a pobreza monetária e a desigualdade de renda.
A baixa produtividade é um fator central, resultado de infraestrutura deficiente, sistema tributário complexo e regulação pesada. Ao mesmo tempo, privilégios fiscais e falta de acesso a crédito limitam o inclusão produtiva de longo prazo e mantêm concentração de renda.
Especialistas apontam que uma combinação de medidas fiscais, sociais e microeconômicas pode reverter esse cenário. É necessário promover investimentos em infraestrutura social e expandir programas de transferência de renda para alavancar consumo e produtividade.
O período entre 2003 e 2013, marcado pelo boom das commodities, ilustra esse dilema. Houve aumento de 21% na produtividade, enquanto o salário mínimo subiu 68% (38% em termos reais) e o Bolsa Família ampliou o consumo das famílias de baixa renda. No entanto, parte do sucesso se sustentou em preços elevados de soja e minério.
Esses dados mostram que, mesmo com políticas sociais de baixo custo, a eficiência na redução da pobreza depende de dimensões distributivas além de PIB per capita.
O governo atual vem adotando medidas de combate a privilégios fiscais, fundos fechados e paraísos fiscais, além de realinhar o salário mínimo ao arcabouço fiscal. Ainda é preciso avançar na modernização da economia digital, na justiça laboral e na inclusão de grupos historicamente marginalizados.
Para especialistas como Luciano Gomes dos Santos e Maurício F. Bento, a chave está na convergência entre Estado, setor privado e sociedade civil. Essa articulação permite alinhar imediatismo e estrutura, garantindo serviços essenciais sem sacrificar o estímulo à inovação.
Fernando Haddad resume bem: “Justiça social fortalece o país, a economia e o desenvolvimento.” A construção desse equilíbrio exige vontade política, transparência e compromisso contínuo com a população.
Em síntese, o Brasil pode transformar seu status de 10ª maior economia e 10ª mais desigual em um exemplo de desenvolvimento inclusivo. A união de crescimento e justiça social não é apenas desejável: é indispensável para um futuro próspero e sustentável.
Referências